Para Sempre Lilya

Abandonada pela mãe, Lilja (Oksana Akinshina) é uma adolescente de 16 anos que vive sozinha na Rússia tendo como único amigo o pequeno Volodja (Artyom Bogucharsky), enfrentando dificuldades como precárias condições de moradia, falta de dinheiro e comida, tendo que recorrer a venda de seu próprio corpo em nome da sobrevivência. Ambos sonham com uma vida melhor e para Lilja a oportunidade surge quando ela se apaixona por Andrej (Pavel Ponomaryov) e ele a convida para ir morar na Suécia com promessas de uma vida melhor.
O filme é forte e cruel. Através da vida de Lilja o filme aborda assuntos como a prostituição de adolescentes, a vida nos subúrbios, as perspectivas de vida de uma juventude que não consegue encontrar esperanças em um mundo absurdamente cruel e a amizade pura.
Li em algum lugar um comentário sobre como o filme nos faz sentir culpados por termos uma vida agradável, tomo o comentário para mim. Lukas Moodysson, construindo seu currículo de filmes sobre temas da adolescência, conseguiu trabalhar muito bem em cima de uma história que não chega a ser nenhuma grande novidade (embora sempre realista e atual) e criar uma sequência genial. O expectador se envolve na vida de Lilja, é absorvido pelas circunstâncias em que se apresentam seu dia-a-dia, torce por ela e por seu pequeno amigo Volodja.
A trilha sonora é aspecto a parte: comecei delirando com a sequência inicial ao som de Mein Herz Brennt, do Rammstein!!! Mas “somzão” mesmo para por aí, este é o momento “ápice”, no restante do filme reinam músicas do tipo eletrônica. Embora tenha lido muitas críticas extremamente negativas a respeito da escolha da trilha, não creio que tenha sido infeliz, não é o tipo de música que eu gosto e mesmo assim achei que a ambientação, o clima noite em frenesi, foi habilmente criado com o conjunto imagens+som apresentado.
A interpretação da atriz principal - Oksana Akinshina - por si só não chega a ser louvável, mas nada que comprometa o conjunto. O grande destaque fica mesmo por conta da química perfeita entre os dois personagens principais, as cenas com Artyom Bogucharsky primam pelo envolvimento.
Para Sempre Lilya é um filme triste. Começa triste, torna-se muito triste e termina triste. Vale muito a pena, mas recomendo, veementemente, evitá-lo naqueles dias em que você sente que tudo está uma m*rda. A sensação só tenderá a piorar…







Camila Wosgrau
em 17/10/2008 às 17:01h
Olá, sou estudante de Psicologia em Florianópolis. Assisti o filme e concordo com você, Para Sempre Lilya é um filme triste, porém nos faz refletir sobre nossos valores, princípios e um fator muito importante que gostaria de ressaltar: o contexto econômico e político do país naquela época. Se for possível gostaria de deixar um pouco da minha contribuição!
Tendo em vista a situação econômica, política e social conflituosa do país na época do filme observa-se a construção da subjetividade do indivíduo de forma degradante e depreciativa. O indivíduo constrói sua subjetividade sem o amparo econômico e social do país, tendo assim prejudicado seu desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo, não possuindo também uma estrutura familiar adequada para sua construção como indivíduo aceito hoje nos “padrões da normalidade”. Tendo em vista que as representaões sociais influenciam um comportamento de um indivíduo em sociedade, pode-se ocorrer mudanças em algumas de suas ações e significados simbólicos. Observa-se no filme que esses resultados no comportamento vão depender significativamente do contexto econômico, social e político em que o indivíduo está inserido.
Atribuir a culpa ao Estado pela situação degradante em que estavam vivendo os seres humanos naquela época, ou culpar a mãe que abandonou a filha em busca de condições de vida melhor? Ou a própria Lilya que não soube controlar as dificuldades de sua vida e não conseguiu se “adaptar” ao novo sistema? Afinal, como dizia Skinner: “O ser humano é um ser adaptável ao meio”.
Acho que podemos refletir e analisar o impacto que cada situação adversa pode ter em nossas vidas, o quanto cada ser humano reage e luta pela sobrevivência de formas diferentes, uns suportam mais, uns suportam menos..não nos cabe julgar os atos das pessoas, mas sim podemos olhar para a história de cada indivíduo e tentar compreender suas atitudes, afinal não somos só indivíduos que vivemos no presente, e sim somos uma história: passado, presente e fututro!
Bom, fica aqui minha contribuição!
Abraços, Camila.
[ Responder a este comentário]
Henrique Silva
em 07/11/2008 às 15:26h
Achei esse comentário um tico determinista, Camila.
O contexto econômico influencia e a escolha dum país do bloco socialista teve sua razão. Com certeza.
Mas acho que o filme vai além, na verdade, é bem individualista. Intrínseco.
Perfeito.
Último post de Henrique Silva: Indelével Sob a Crevasse (pronto, subi, avisa depois de usar)
[ Responder a este comentário]